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Introdução
Apenas quatro anos depois da novidade de Daguerre, os estúdios já adquiriam muita importância nas maiores capitais européias. Ambição burguesa O desejo de expressar em imagens aquilo que os
olhos percebem certamente acompanhou o homem desde os primórdios
de sua existência. Mas o desejo de representar a realidade visível
de uma maneira específica - sonhando em reproduzir com perfeição
a visão humana (como veremos, uma determinada visão humana)
- é uma ambição localizada. Uma ambição
ocidental, de uma civilização urbana e burguesa. Tão natural que, por vezes, nos faz esquecer os anseios dos homens sob a deslumbrante história da técnica. O sonho da ciência e da arte capturarem a realidade com a maior objetividade possível começou a se formar na mente dos homens da Renascença. Foi no mundo urbano do século XIV que o ser humano começou a transformar seus sentidos, a maneira de abarcar a realidade. O domínio crescente das leis da natureza, proporcionado pelos homens de ciência, lentamente foi se correspondendo com os desejos dos artistas. Nasciam assim o homem e o olhar modernos, que passariam mais cinco séculos em busca de uma representação objetiva e verdadeira. Em 1839, quando surgiram as máquinas de Talbot e Daguerre, a notícia espalhada aos quatro ventos soou fantástica para os ouvidos de então, a ponto de muitos ficarem incrédulos. Dizia-se que a natureza reproduzia-se a si mesma, eliminando o papel do homem como intérprete e reduzindo-o ao intermediário que apenas acionava a máquina. Outros, mais afoitos, proclamavam o fim da pintura. Mas logo se percebeu que o invento não prescindiria da subjetividade, do olho de cada ser humano. E uma nova maneira de expressar o mundo começava a construir sua história. |